28/07/2011

O dogma e o mito haviam transformado o meio em fim, a aparência em essência, e a circunstância externa em fato central.


Certo dia, séculos atrás, um grande mestre budista recolheu da rua um gato abandonado e passou a cuidar dele.  Quando meditava, em sua cela, o monge amarrava respeitosamente o animal no pé da mesa, para que não o atrapalhasse. Passaram-se vários anos. O monge morreu e pouco depois o gato desapareceu do monastério. O sucessor do velho mestre − zeloso seguidor das suas técnicas de meditação − buscou então um gato e o amarrou ao pé da mesa durante as suas meditações. Com o tempo, a prática institucionalizou-se. Já muitos praticantes amarravam gatos a pés de mesas no momento da meditação. Surgiram polêmicas entre doutores sobre qual devia ser a cor do cordão que amarrava o gato. Novas seitas passaram a alegar que o gato deveria ser dessa ou daquela raça. Caso contrário, a meditação seria apócrifa e ineficaz.  O dogma e o mito haviam transformado o meio em fim, a aparência em essência, e a circunstância externa em fato central.
 
O mesmo pode ocorrer –  e ocorre freqüentemente –  com as modernas  técnicas de  meditação e oração, o vegetarianismo, o respeito aos animais, e a atitude de valorizar pensamentos construtivos. Tudo pode ser visto com olhos supersticiosos e transformado em dogma, rotina e ritual.

Um comentário:

  1. Quando os materiais estiverem prontos o Arquiteto aparecerá, mas não busque por ele; busque apenas estar pronto. Faça o melhor que puder a cada dia, não tema coisa alguma, não alimente dúvidas, coloque toda sua confiança na Grande Lei, e tudo irá bem. Com a atitude correta, o conhecimento virá.

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