30/01/2013


Sobre a Simplicidade Voluntária.

Porque atribuímos tamanha importância às manifestações exteriores da simplicidade? Porque começamos sempre, invariavelmente, pelo lado errado? Porque não começamos pelo lado certo, que é o psicológico? Sem dúvida, precisamos começar pelo lado psicológico para descobrir o que é vida simples, pois é o interior que cria o exterior. É a insuficiência interior que faz as pessoas se apegarem a seus haveres, a suas crenças; é esse sentimento de insuficiência interior que nos força a acumular bens, roupas, saber, virtude. Evidentemente, por esse caminho só havemos de criar muito mais malefícios e muito mais dano. É extraordinariamente difícil ter uma mente simples — não a chamada mente intelectual dos eruditos, mas a simplicidade que nasce quando compreendemos uma coisa, aquela simplicidade que percebe o problema do que é. Positivamente, não podemos compreender coisa alguma quando nossa mente é complexa. Não sei se já notastes que quando estais preocupados com um problema, preocupado com qualquer coisa, não percebeis coisa alguma com clareza, tudo fica fora de foco. Só quando a mente é simples e vulnerável é possível ver as coisas claramente, em suas exatas proporções. Assim, a simplicidade da mente é essencial à simplicidade da vida. O mosteiro não constitui solução. Surge a simplicidade quando a mente não tem apego, quando a mente não está adquirindo, quando a mente aceita o que é. Isso significa, realmente, estar livre do fundo (background), do conhecido, da experiência adquirida. Só então a mente é simples, e só então é possível ser livre. Não pode haver simplicidade enquanto o individuo pertence a uma religião, a uma certa classe ou sociedade, a um dogma, da esquerda ou da direita. Ser simples interiormente, estar esclarecido, ser vulnerável, é ser como uma chama sem fumo; e por isso não se pode ser simples sem amor. O amor não é uma idéia, o amor não é um pensamento. É só no cessar do pensar que existe a possibilidade de se conhecer aquela simplicidade que é vulnerável.

Krishnamurti 

Vocês estão cientes de que sua vida está desordenada?


Vocês estão cientes da rotina diária, a monotonia, o fastio de ir para o escritório? Estão cônscios das desavenças, das brutalidades, dos aborrecimentos e da violência, de tudo que é o resultado de uma cultura que é desordem total, que é sua vida? Vocês não conseguem escolher e retirar dessa desordem o que pensam ser ordem. Estão cientes de que sua vida está desordenada, e se vocês não tiverem o interesse, a paixão, a intensidade, a chama para encontrar a ordem, então, escolherão e retirarão o que acham que é ordem para fora dessa desordem. Podem observar a si mesmos com grande honestidade, sem nenhum senso de hipocrisia ou subterfúgio, sabem por si próprios que sua vida é desordenada, e podem colocar tudo de lado para encontrar o que é a ordem. Sabem, colocar de lado a desordem não é assim tão difícil; nós a dramatizamos, sobrestimamos. Porém, quando veem algo muito perigoso, um precipício, um animal selvagem, ou um homem com uma arma, vocês o evitam instantaneamente, não é? Não há nenhum questionamento, nenhuma hesitação, há ação imediata. Da mesma forma, quando você vê o perigo da desordem, há ação instantânea que é a negação total da inteira cultura que gerou a desordem, que é você próprio.

Krishnamurti

24/01/2013


A fragmentação é o vírus que corrói sutil e silenciosamente vossa vida, por isso navegais num oceano de incerteza, ansiedade e frustração constante. Estes são os sintomas da desconexão interior ao turvar vossa sensibilidade e consciência divina obstruindo a conexão e comunhão com Deus. Estais desagregados a nível individual, coletivo, planetário e cósmico, por isso experimentais o vazio e a insatisfação interior que, como um abismo tenebroso, ameaça devorar-vos.

Para observar claramente, é óbvio, é preciso ser livre para olhar. Se alguém se apega às suas experiências, julgamentos e preconceitos particulares, então não é possível pensar com clareza. A crise do mundo que está bem a nossa frente exige, reclama que pensemos juntos de modo a podermos resolver o problema humano juntos, não de acordo com alguma pessoa em particular, com um determinado filósofo ou guru. Estamos tentando observar juntos.

As religiões, que deveriam atuar para re-ligar o humano com o Divino, ‘descobriram’ que tinham a possibilidade de converter-se em membros poderosos do grupo dos controladores dos seres humanos e viver com privilégios, sempre atuando através do uso enganoso das imagens e conceitos de Divindade, paz e amor, para conseguir manter o controle de quem se aproximava delas. O que o ser humano encontrava aí nessas 'religiões' era sempre uma verdade manipulada e desvirtuada.

Aceite o que é, não fuja do que é, olhe de frente o que a vida traz, e nesse aceitar e olhar de frente,
Compreendemos, livres e lúcidos aquilo que é..